O que fazer face a uma queimadura?

A cada ano que passa dezenas de portugueses morrem devido a queimaduras.

Este tipo de acidente é muito comum e pode dever-se a várias causas.  As queimaduras causam destruição da pele e deixam cicatrizes que podem ser causa de grandes traumatismos psicológicos e de marginalização social. 



Que tipo de queimaduras? 



As causas das queimaduras são várias:

- líquidos quentes tachos e panelas que oscilam e equilibram-se mal no fogão ou que são transportados do fogão para cima da mesa e apanham, nesse movimento, uma pessoa.

- sopa, café, chá ou chocolate que estão em chávenas ou canecas entornam-se podendo mesmo apanhar uma criança está sentada ao colo dos pais.

-  água demasiado quente na torneira (geralmente quando estão próximas do esquentador) água a ferver, biberões ou papas aquecidos em micro-ondas (se não houver o cuidado de mexer ou agitar e ver a temperatura final).

- um tipo de queimadura ainda muito comum no nosso País é a queimadura do banho da criança.

- churrascos (muitas vezes activados por álcool que, sem se ter noção das consequências, se deita para avivar as chamas), aparelhos a gás (camping), placas de fogão, portas de forno, lareiras com recuperador de calor e placa, radiadores, ferros eléctricos, escapes de automóveis. 



A gravidade das queimaduras 

 



As queimaduras são das lesões mais graves porque causam destruição dos tecidos e, para além da dor intensa e de poderem pôr em causa a vida, deixam sequelas que, frequentemente, exigem múltiplas intervenções cirúrgicas e internamentos. A taxa de hospitalização é, aliás, muito elevada e as queimaduras são o grupo de lesões acidentais que maior duração de internamento têm. As sequelas, como dissemos, podem causar problemas psicológicos graves, afectar a auto-estima e ter consequências a médio e longo prazo na integração no mercado de trabalho, criando fenómenos de marginalização. 

Para além da acção do calor, muitas vezes há libertação de gases e de fumos que podem causar intoxicações e lesões gravíssimas da árvore respiratória - muitas das vítimas de incêndios morrem devido a problemas respiratórios e não pelo fogo em si.

Também os idosos são particularmente atreitos a queimaduras dado que, muitas vezes, têm menos sensibilidade, não se apercebendo do calor. 

Outro gesto muito comum, principalmente no inverno, é o pôr-se roupa a secar em cima de aquecedores. Não poder estender a roupa ao sol é muito maçador, mas não nos esqueçamos que a maioria dos tecidos são inflamáveis e que se incendeiam facilmente, pegando fogo à casa ou provocando o sobre-aquecimento dos aparelhos. Muitas vezes, também, a existência de alcatifas, papéis velhos e outro material altamente combustível leva a que o fogo se propague muito rapidamente. 

Proteger as lareiras e braseiras e ver se os aquecedores têm protecção, equivale a pôr o risco atrás das grades. Relativamente à roupa de crianças, muitas vezes são feitas de tecidos que se inflamam facilmente (como é, infelizmente, o caso do nylon ou das fibras sintéticas, que ardem, derretem e se colam à pele num instante). O emprego de escalfetas e de botijas eléctricas constitui outro recurso de combate ao frio que pode envolver risco de queimaduras. E não nos podemos esquecer que a cozinha é um local especialmente perigoso, pela concentração de pessoas e de líquidos e alimentos quentes e ferventes, havendo menor vigilância das crianças que, pelos doces e pela presença de pessoas de família, irrompem pela cozinha dentro, expondo-se mais ao risco. Este problema ainda é maior quando a cozinha está cheia de obstáculos - bancos, cadeiras, sacos - nos quais o adulto ou a criança podem tropeçar, entornando os líquidos.

A criança que está no andarilho, por exemplo, entra muitas vezes na cozinha sem se dar por ela e o adulto que carrega panelas ou tachos com líquidos quentes tropeça e entorna esses líquidos por cima da criança. Ainda poderemos acrescentar, para tornar o panorama mais sombrio (mas infelizmente real), as tomadas desprotegidas, as fichas sobreaquecidas por excesso de ligações (candeeiros, aquecedores, electrodomésticos), os fios eléctricos secos, gretados e descarnados pelo calor e pelo uso, a ausência de disjuntores em muitas casas, o que provoca um risco elevado de queimaduras eléctricas, designadamente nas crianças que gatinham e que levam tudo à boca. E já sem falar nos líquidos corrosivos de uso doméstico (limpeza) que, infelizmente e por nossa culpa, andam um pouco por toda a parte nas nossas casas.



Os comportamentos essenciais


Em primeiro lugar, há que não acusar ninguém, porque não é isso o essencial. Já basta a culpabilização que os adultos sentem quando estas coisas acontecem a uma criança. Devemos, sim, aprender com a lição e tornar a nossa casa mais segura. Em linhas gerais, o que é necessário, face a uma queimadura, é :

- actuar (com serenidade) sobre o fogo e o calor (diminuindo a temperatura no local queimado e impedindo que alastre) e sobre o risco de intoxicação (assegurando uma boa ventilação ao acidentado, embora relativamente ao fogo em si tenha que haver um abafamento, para impedir que utilize o oxigénio para se propagar). Se houver um foco de fogo, deve atabafar-se com um cobertor (se não houver um extintor à mão). 

- relativamente ao vestuário, deve retirar-se logo que possível, especialmente as peças que ficaram embebidas com líquidos ou óleos ferventes, mas ter em atenção que o que ficou preso à pele (como algumas fibras sintéticas que derretem) só deverá ser tirado no serviço de urgência, para impedir que os tecidos sejam também retirados.

- aplicar água fria é a melhor maneira de diminuir a temperatura local e impedir que continue a acção do calor na pele e nos tecidos corporais (dez minutos à torneira, podem limitar em muito a profundidade da queimadura).

- convém proteger a pele queimada com gaze normal e ir o mais rapidamente possível a um serviço de urgência.

- o uso de manteiga ou outras gorduras deve ser abolido, pelo menos nunca fazer antes de diminuir a temperatura local. Algumas queimaduras causam bolhas (flictenas) - não deverão ser retiradas a não ser pelos médicos.

Por fim, nesta ronda geral de medidas essenciais, não esquecer que as queimaduras causam dores violentas - deverá assim ser administrado um analgésico. 


 
Regras de ouro 

 

  • Quando cozinhar, utilize sempre os bicos de trás do fogão e equilibre bem os tachos e panelas. 

 

  • Vire as pegas dos tachos, frigideiras e panelas para trás, de modo a que a criança não lhes tenha acesso. 

 

  • Desimpeça a cozinha, de objectos, bancos, sacos de compras e outros obstáculos que podem fazer tropeçar e entornar recipientes com líquidos quentes. 

 

  • Tenha especial cuidado quando se transportam estes líquidos e estão crianças presentes. 

 

  • Evite tomar bebidas quentes com crianças ao colo. Não coloque chávenas ou outros recipientes com líquidos quentes na beira das mesas. 

 

  • Ao misturar água quente e fria, abra sempre primeiro a torneira da água fria e ir temperando. Misture bem a água do banho antes de o bebé ou a criança entrarem. Se não tiver misturadora, coloque sempre primeiro a água fria. 

 

  • Proteja sempre as lareiras com guarda-fogo. Quando acender uma braseira, muito cuidado com as saias das camilhas, a fim de não pegarem fogo. Cuidado com o acesso dos bebés às braseiras. 

 

  • Proteja outras fontes de calor e evite o acesso do bebé a elas, como a porta do fogão e de fornos, lareiras com recuperador de calor, radiadores, ferros eléctricos, escapes de automóveis. 

 

  • Não utilize álcool ou outros combustíveis para avivar as chamas de churrascos e outros fogos. 

 

  • Compre sempre roupas que não sejam combustíveis, evitando por exemplo as que têm elevados teores de nylon ou de outras fibras sintéticas. 

 

  • Não deixe fósforos ao alcance de crianças, nem brinque à frente delas com fósforos, velas ou outras fontes de chama. 

 

  • Explique às crianças o que deverão fazer no caso de um incêndio ou de uma queimadura. 


Fonte:

APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil

Voltar