"Pílula do dia seguinte" - Mitos e esclarecimentos

A contraceção de emergência (CE) trata-sedo uso de qualquer
medicamento ou dispositivo após a relação sexual não protegida para
impedir uma gravidez não planeada.

Trata-se de uma solução contracetiva “após a relação sexual” e que pode denominar-se, num dos casos, também como a “pilula do dia seguinte”.

Quando se utiliza uma “pílula do dia seguinte”?

A pílula do dia seguinte é mais eficaz quando tomada logo após a Relação Sexual Não Protegida (RSNP).

Quando é que uma mulher tem necessidade da contraceção de emergência?

O preservativo rasgou-se ou ficou retido.

Esquecimento da toma da pílula, inserção do anel vaginal ou de colocação do adesivo.

Diafragma ou dispositivo deslocado, fora do seu lugar.

Não se utilizou qualquer método contracetivo.

Foi obrigada a uma relação sexual não protegida.

Existem diferentes opções de contraceção de emergência

As opções atuais de contraceção de emergência são:

  • Inserido no útero, dispositivo intrauterino.

O DIU que é adequado para a contracepção de emergência (CE) é um DIU de cobre-T.

Os DIU são considerados a opção  de contraceção de emergência mais eficaz, mas podem não ser uma opção prática para muitas mulheres.  A vantagem do DIU é de que proporciona uma solução contraceptiva permanente. Mas quando a rapidez é um fator crítico,  as mulheres podem  não desejar tomar uma decisão sobre o uso deste método contracetivo reversível de longa  duração.

O DIU de cobre-T pode ser utilizado durante as 120 horas (5 dias) após à relação sexual não protegida. É de uso restrito pela sua disponibilidade e a necessidade de ser inserido por um profissional médico especialista.

  • Oral, um comprimido, “pílula do dia seguinte”.

Existem dois métodos orais de contraceção de emergência disponíveis:
1.Um com levonorgestrel, foi o primeiro disponível, em 1999.
2.Outro com acetato de ulipristal, lançado em 2009.

O mecanismo de ação dos métodos de CE orais é inibir ou atrasar a ovulação,  de modo a que não se liberte nenhum óvulo.

Mecanismo de ação das pílulas do dia seguinte

As pílulas do dia seguinte atuam inibindo ou atrasando a ovulação libertação de um óvulo), de modo a que fertilização não possa ocorrer.

As pílulas do dia seguinte não impedirão a gravidez em 100% dos casos. Isto acontece porque existe a possibilidade de a mulher já ter ovulado quando toma uma pílula do dia seguinte. Tomando a pílula do dia seguinte o mais rápido possível após a relação sexual não protegida proporciona a maior probabilidade de sucesso.

Considerando que as pílulas do dia seguinte atuam inibindo ou atrasando a ovulação, não são eficazes em 100%. Se a ovulação acaba de ocorrer antes de uma relação sexual não protegida, as pílulas do dia seguinte já não serão eficazes. Não interferem com um óvulo implantado (gravidez)  pelo que não causam aborto.

As pílulas do dia seguinte são adequadas para mulheres em idade fértil e possuem um bom perfil de segurança. Não protegem de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Portanto, as pílulas do dia  seguinte são soluções de contraceção de emergência, que não substituem um método contracetivo regular.

Quando se dá o período fértil?

A variabilidade da ovulação é grande. Dado que o espermatozoide permanece viável durante cinco dias, o período durante o qual é provável que ocorra a gravidez pode ocorrer do dia 6 ao dia 21 para mulheres com um ciclo regular. Se o ciclo não é regular, existe o risco de a ovulação ocorrer mesmo mais tarde no ciclo (ver imagem abaixo).

Além disso a ovulação varia de um ciclo para o outro.

O risco mais elevado de engravidar é quando a ovulação acontece imediatamente após uma relação sexual não protegida (RSNP).Portanto, para evitar uma gravidez não planeada, é muito importante inibir ou atrasar a ovulação imediatamente após  a RSNP utilizando a contraceção de emergência o mais rápido possível.

Mitos esclarecidos sobre a pílula do dia seguinte.

  • Vários estudos demonstraram que facilitar o acesso à pilula do dia seguinte não aumenta o comportamento de risco contracetivo ou sexual.
  • Estudos demonstram que não é por as mulheres e adolescentes terem um maior acesso à pilula do dia seguinte,  que venham a manter relações sexuais não protegidas e é sim mais provável que adotem um método contracetivo permanente depois do uso da pilula do dia seguinte.
  • O uso das pilulas do dia seguinte não tem qualquer efeito sobre a fertilidade futura.
  • Não existe qualquer indicação de que as pílulas do dia seguinte provoquem malformações num feto em desenvolvimento se são tomadas por erro no início da gravidez.
  • As pílulas do dia seguinte não interrompem uma gravidez estabelecida.
  • As pílulas do dia seguinte não protegem de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Somente os preservativos protegem de DST.
  • As pilulas do dia seguinte não proporcionam uma cobertura contracetiva para uma relação sexual não protegida nos dias que se seguem à toma.
  • Uma mulher que esteja a amamentar pode tomar a pílula do dia seguinte, mas deve suspender o aleitamento durante 7 dias.

Fonte:

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